O moço loiro/XVI

Wikisource, a biblioteca livre
< O moço loiro
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
O moço loiro por Joaquim Manuel de Macedo
Capítulo XVI: Resultados do sarau


Portanto o sarau de Tomásia não tinha sido infecundo.

Nós vimos como uma moça, que para ele fora com o coração virgem de amor, voltara possuída de um sentimento novo para ela, e que talvez, a pesar seu, seja o próprio que não conhecia. E nós vamos ver, que outros corações há, nos quais essa noite deixou vestígios mais ou menos profundos e impressões duradouras.

Uma mulher, na primavera da sua vida, bela para conquistar os olhos, pálida e graciosa para inflamar o espírito dos que a vêem, havia aparecido nesse sarau e involuntariamente arrancado a palma da vitória aos mais encantadores e vaidosos semblantes: essa mulher, pois, devia ter dado origem a dois sentimentos opostos...

Era o que tinha realmente acontecido.

Simples, modesta e formosa, Honorina, deixando o sarau, arrastara após si, sem o querer, sem pensar em tal, vinte corações de mancebos; cercada de adorações, vitoriosa sempre, a mais requestada entre todas, seguiu-a, em compensação, a inveja de algumas, o ciúme de outras, e o desagrado da maior parte das moças.

Mas ou porque o amor, quando não correspondido, é (para alguns) como uma exalação etérea, que se esvai de súbito; ou porque o coração dos nossos mancebos seja para esse sentimento, como o espelho, que reflete a imagem de todos os semblantes, esquece desde o instante em que lhe fogem; ou porque, enfim, muitos sabem amar em triste silêncio, e fazer do próprio coração um túmulo para seu amor não aceito; alguns dos adoradores de Honorina não ousaram apresentar-se mais.

Muitos padecentes infelizes contentaram-se, porque mais não podiam, em ir todos os dias passar duas vezes junto ao gradil da bela casinha de Niterói, derretendo-se-lhe os olhos sobre o banco de relva, no qual tinham por acaso visto Honorina descansando um momento.

Outros, aproveitando-se da amizade que entretinham com o pai da moça, lá foram queimar suas almas no fogo dos olhos dela, e... puseram em tributo a paciência de Hugo, e da velha Ema, a quem pagavam horas inteiras de maçada com o oferecimento de pitadas de ótimo rapé.

E porque seja destino de toda a moça bonita contar sempre entre seus sérios apaixonados algum tolo ou impertinente, Honorina tinha tido a desgraça de agradar também a Brás-mimoso e a Manduca.

Mas essa moça, a quem já conhecemos tão ardente, tão entusiasta, e (digamos assim) tão nascida para amar, conservava-se no meio de tanto fogo, insensível e fria.

Nem o mais leve favônio de esperança tinha conseguido um só de seus apaixonados.

Mas o objeto do amor de tantos homens devia ser o despeito de dobrado número de senhoras.

Com efeito, elas haviam sido feridas em dois pontos por demais sensíveis. Aquele ardor, com que no sarau todos os cavalheiros procuravam dançar com Honorina; a deserção cruel, que cada bela senhora notou no círculo de seus adoradores; a multidão que cercou, acompanhou e incensou durante toda a noite a jovem romântica; aqueles cem olhos de elegantes mancebos, que estavam sempre embebidos no rosto dela; mil episódios, mil pequeninos incidentes, nenhum dos quais escapou, nem podia escapar, tudo pareceu dizer, tudo disse a Honorina — tu és a mais bela!

E no meio de cinqüenta moças dizer a uma — tu és a mais bela... tu és a rainha! é ferir, é torturar o amor-próprio de todas as outras; e o amor-próprio é o noli me tangere da mulher; é levantar aquela a um ponto, aonde não podem chegar as outras; mas para onde elas mandam por si o despeito.

E sobre esse golpe, que foi comum a todas, caiu um outro que feriu principalmente a uma.

Otávio, não podendo resistir à força dos encantos de Honorina, amou-a mais do que todos os seus competidores; amou-a ardente e loucamente; amou-a como nunca dantes tinha amado.

Lucrécia, a antiga dama dos pensamentos de Otávio, Lucrécia, hábil e perspicaz, compreendeu desde logo que seu amante faltava aos juramentos tantas vezes repetidos, que a traía enfim!

E Honorina era a causa, embora involuntária, desta traição!

Exasperada porque via acima de sua vaidade a cabeça angélica de uma moça encantadora; exasperada porque amava sempre e muito a Otávio, Lucrécia queria vingar-se; mas em todos os projetos de vingança, o meio... e a vítima era somente Honorina.

Desde o instante da cruel convicção de sua derrota, Lucrécia determinou colocar-se entre o perjuro e a rival; sabendo que Otávio, esquecido do passado e só cuidoso do seu recente afeto, se aproveitara do antigo conhecimento, que o podia aproximar de Hugo de Mendonça, o procurara e cercara de obséquios, e finalmente chegara até junto de Honorina, não hesitou: fez alugar uma casa em Niterói, e não longe da da sua rival correu a oferecer-lhe a sua amizade, eternizou nos lábios o seu belo sorrir, que tão bem condizia com a doçura de seus lindos olhos azuis; e, recebida com prazer pela incauta jovem, ela ficou lá pronta para opor-se como uma barreira ao homem que a tinha ofendido, e, a ser preciso, para sacrificar a beleza e inocência de Honorina nos altares da sua vaidade.

Otávio e Lucrécia personificavam os sentimentos que por Honorina nutriam os homens e senhoras.

Uma única diferença havia.

Otávio era o mais apaixonado e ardente dos pretendentes que Honorina tinha, contra a sua vontade, trazido do sarau.

Lucrécia a menos nobre de todas as senhoras, isto é, nenhuma das rivais de Honorina desceria até ao ponto a que é capaz de descer a viúva.



. . . .

Duas semanas são passadas depois do sarau de Tomásia.

São nove horas da noite. Brás-mimoso e Félix acham-se em casa de Venâncio; a conversação tinha naturalmente caído sobre Honorina.

— Nós já a vimos com mais vagar, disse Tomásia; há três dias que veio com seu pai cumprimentar-nos... ao menos política sabem eles...

— Política sabem eles, repetiu Venâncio.

— Quanto ao mais, outra vez digo, não é lá essas coisas, disse Rosa.

— Deixa-te disso, mana, acudiu Manduca... foi a moça mais bonita que cá veio...

— Ora... vocês todos são assim; se amanhã chegar alguma outra mocinha... adeus, Sr.ª D. Honorina!...

— Não eu, que me acho apaixonado até aos olhos! exclamou Brás-mimoso.

— Também o Sr. Brás?... muito bem: falta um para duas dúzias; primo Félix talvez queira inteirar a conta.

— Não, prima Rosa, se eu quisesse amá-la não precisava de conselhos... mas confesso que, achando D. Honorina bonita, não sinto, contudo, grande abalo por ela.

— Quem sabe, meu primo, talvez que você quando levantasse os olhos para olhá-la não a visse por estar alta demais...

— Pode ser, prima; mas falando assim, você faz de antemão muito baixa idéia de outra mulher.

— Como?...

— Porque deve acreditar baixa demais a mulher a quem eu ousar oferecer o meu amor.

O rosto de Rosa se tornou da cor do seu nome; pois que acabava de ser cruelmente ferida com suas próprias armas.

— Lá pela conta dos vinte e quatro não haja arrufos, disse Brás-mimoso, eu posso apresentar um nome que talvez não esteja na relação.

— Vamos a ele, disse Tomásia.

— O Sr. Otávio.

— Otávio! exclamou dando uma risada Tomásia; Sr. Brás, asseguro-lhe que está muito atrasado.

— Está muito atrasado, Sr. Brás! repetiu Venâncio rindo-se também com sua mulher.

— Mas explique-se Sr.ª D. Tomásia.

— Pois não sabe que ele é homem sobre quem não pode calcular nenhuma moça solteira?...

— Por quê?...

— Porque é parcela votada no orçamento da comadre Lucrécia.

— Está muito atrasada, Sr.ª D. Tomásia!... exclamou Brás-mimoso, dando por sua vez uma risada.

— Então que há de novo?... conte-nos.

— Estão de arrufos!...

— Quem, Sr. Brás?...

— Otávio e sua comadre...

— É possível?!...

— Por causa da mesma feiticeira que nos encantou a todos...

Ora, feiticeira!... feiticeira!... murmurou Rosa, no meio de uma conversa séria, sai-se com aquilo.

— Mas como pode ser isso, Sr. Brás, se a comadre Lucrécia está agora dia e noite na casa de Honorina e parece ser a sua melhor amiga?... em menos de oito dias de conhecimento travaram uma amizade que parece de anos.

— Lá esses segredos só as senhoras poderão explicar; quem é que até hoje compreendeu um coração de mulher?...

— Mas duas rivais darem-se assim...

— Rivais, não disse eu; porque Otávio ama loucamente uma senhora, não se segue que ela por isso lhe corresponda.

— Então D. Honorina é algum anjinho, que não sinta o que nós sentimos? perguntou Rosa, não há ninguém neste mundo que lhe mereça um suspiro? meus senhores, tenham cuidado que não voe para o céu o seu querubim!...

— Não, não digo isso, tornou Brás-mimoso; porém afirmo que não é Otávio o mais feliz de seus adoradores.

— Então quem é, quem é o venturoso conquistador daquele belo milagre da natureza?... perguntou Rosa.

— Eu... eu o não saberei dizer, respondeu Brás-mimoso fingindo-se acanhado, ainda é tão duvidoso...

— Bravo!... bravo!... parabéns, Sr. Brás, gritou Tomásia.

— Bravo!... parabéns!... parabéns!... repetiu Venâncio.

— Devia ser assim!... exclamou Rosa rindo-se muito; os senhores merecem-se igualmente.

— Ora... não era isso... o que eu queria dizer; mas enfim... certos sinais que vi, e que um homem entendido nestas coisas sabe muito bem compreender...

— Bem, bom!... bem bom!... disse Rosa, vamos aos sinais...

— Desnublar arcanos de amor, minha senhora!

— Todos nós aqui somos de segredo... olhe, eu não tenho na vizinhança senão seis amigas com quem converso; o seu segredo não pode passar desta rua; além de que ninguém lhe mandou principiar.

— Os sinais, Sr. Brás, os sinais!...

— Enfim... vá...

Brás-mimoso, sem reparar que Manduca estava já roncando de raiva, começou:

— Talvez atendendo a estas minhas maneiras delicadas, ao espírito e sutileza que, sem vaidade o digo, desenvolvo em um sarau... D. Honorina mostrou-me uma predileção...

— Ora, isto já passa de impostura!... bradou Manduca.

— Cala-te, Manuelzinho... Sr. Brás, não faça caso do que ele disser... disse Tomásia.

— Não faça caso do que ele disser, repetiu Venâncio; continue, Sr. Brás, não faça caso do que ele disser.

— Está com ciúmes!... coitado! acudiu Rosa.

Brás-mimoso não cabia em si de contente: o ciúme de Manduca o enchia de glória.

— Pedindo-lhe para valsar comigo, continuou Brás-mimoso, ela respondeu-me que sentia bastante estar já comprometida com outro: ora, isto de sentir bastante não será muito explicativo?

— Muito!... muito!... não tem dúvida...

— No terrado, em um momento infeliz, escorreguei tão fortemente, que, se me não seguro à casaca de um amigo, esbarrava por força diante dela; quando me endireitei, olhei-a, e vi que ela se estava sorrindo docemente... bem se vê que isto não deixa dúvida nenhuma!...

— Mas, Sr. Brás, acudiu Rosa se eu estivesse lá e lhe visse escorregar, não me ria docemente, soltava mesmo uma gargalhada, e ninguém dirá que somos apaixonados.

— Por isso mesmo... no rir-se docemente é que está o segredo!...

— Ora, vejam isto!... e minha mãe me chama de tolo!... tolo eu, quando o Sr. Brás diz destas!... exclamou Manduca.

— Enfim, minhas senhoras, por duas ou três vezes ela olhou-me com expressão tal, que...

— Se é por isso, interrompeu Manduca, ela de uma vez também me olhou com expressão três vezes...

— Mano, isso precisa de explicação.

— O que precisa de explicação, é o que tem dito o Sr. Brás, exclamou Manduca afrontado; porque é muito malfeito andar se impondo de namorado de uma moça tão inocente.

— Bravo!... que inocência!... disse Rosa.

— Pois eu tenho culpa de lhe haver agradado?... tornou Brás-mimoso.

— Qual agradado, nem meio agradado; pois o senhor se capacita de que uma moça de bom gosto havia de interessar-se por um esqueleto de cinqüenta anos?

— O Sr. Manuel Venâncio me insulta!... exclamou Brás-mimoso.

— Manuelzinho, cala-te!... gritou Tomásia.

— Cala-te, Manuelzinho, repetiu Venâncio.

— O senhor, continuou Brás-mimoso, endireitando a gravata, com ter menos de vinte anos não é capaz de ser mais bonito nem mais engraçado do que eu.

— Pois mostre-se tal qual é, respondeu Manduca; tire os cabelos postiços, os dentes postiços, a cor postiça da cara!... o senhor sempre é um homem, que usa de mais postiços do que a própria mana Rosa...

— Não seja tolo, ouviu?... acudiu Rosa enraivecida, não me meta lá nas suas tratadas... minha mãe, ouça o que está dizendo este pateta.

— Manuelzinho, retira-te, disse Tomásia, a tua cabeça não está boa.

— Retira-te, Manuelzinho! repetiu Venâncio. Sr. Brás, não repare, a cabeça dele não está boa.

Manduca retirou-se furioso da sala, jurando vingar-se de Brás-mimoso.

— Não se enfade, Sr. Brás... aquilo é fogo de palha; tem estas imprudências, mas é um menino muito bem-criado e de muito bom gênio.

— Eu tenho-lhe amizade, disse Brás-mimoso, já menos irado; sei o que é o ciúme... o Sr. Manuel foi infeliz... é um rival que caiu por si mesmo; o mais terrível, e o que me dá mais cuidado é Otávio.

— Eu sei que ele já freqüenta muito a casa de meu amo, disse Félix.

— Pois bem: é esse o único que me incomoda; mas ao menos ele não pode deixar de ver-se muito atrapalhado.

— Por quê?...

— Porque a sua comadre mudou-se para Niterói, e consta-me que não deixa a companhia de D. Honorina... isto há de dar ainda muito que falar.

— Rosa!... que belos dias temos de passar... é preciso entrelaçarmo-nos de amizade com D. Honorina; domingo, agrados sobre agrados!

— Então domingo...

— Estamos convidadas a passar o dia com ela...

— Minha senhora... se eu pudesse ser apresentado...

— Oh! será uma contrariedade para Manuelzinho; mas se quiser pode ir em nossa companhia, e devo crer que será bem recebido.

— Disso tenho eu a certeza.

— Pois muito bem; está convidado.

Oh! presente do céu!...



No entanto, que alguns dos apaixonados de Honorina preparavam-se para lutar, que Lucrécia se dispunha para vingar-se, ou pelo menos opor-se à ventura de Otávio, Tomásia e Rosa se tratavam para observar e murmurar; o que estaria projetando ou fazendo esse homem, de que nenhum deles sabe, esse incógnito, cuja existência só tem sido sentida por Honorina, Raquel e Lúcia?...

Duas semanas são passadas desde o seu último aparecimento: não há notícia nenhuma dele; ninguém o conhece... e Honorina, que em silêncio pensa nele, não se anima, nem se animará nunca a perguntar pelo moço loiro.

E quem é esse homem das sombras e do mistério?...

E o que quer dizer esse contínuo pensar do espírito de Honorina, que pende sempre docemente em suas reflexões das vigílias, e em seus sonhos das noites para esse jovem desconhecido?... o que quer dizer?...

Extravagante, estouvado por força, esse personagem misterioso, que ainda se não sabe, ao certo, que cara tem, que muda de semblante, de ofício, de vestidos, e de cabelos a cada hora, como pôde tão vivamente tocar a alma (e quem sabe se também já o coração) de uma inocente moça?...

Oh!... é porque a mulher ama, sobretudo, o que lhe parece mais romanesco e misterioso!

Sem que se dê por tal, ela é apenas curiosa no princípio, logo depois se faz interessada... e é um milagre se escapa de ser amante no fim.

E Honorina, que na cor pálida de seu rosto, na delicadeza de sua compleição, e em todos os seus traços enfim deixava ler esse temperamento, talvez perigoso, mas sempre interessante, no qual a vida está no sentimento, e com o qual somente se sabe compreender, sentir e alimentar essa paixão ardente, cujo fogo não minora, não se extingue, nem ao sopro do infortúnio, nem ao poder da prepotência, e com o qual, enfim, basta a impressão ligeira de uma figura, que se vê na sombra... diáfana... misteriosa, que se adivinha bela, que se sonha, como se deseja para dar um rumo ao batel da vida, que nem um tufão da tempestade, nem a agitação das vagas pode jamais mudar; para dar um doce pendor ao espírito, que nem a docilidade dos conselhos, nem a força de uma ordem, nem o rigor do despotismo pode fazer desaparecer; e Honorina, dizemos nós, romanesca e entusiasta, tinha cedido à força de sua organização e ao enlevo do misterioso proceder do homem que a amava na sombra.

E, portanto, já havia um segredo na vida da moça, e apesar dela uma ação que às vezes a obrigava levemente a corar. O segredo estava em seu coração... ainda pouco inteligível para ela mesma: era o sentimento que começava a votar ao moço loiro; a ação de que levemente corava, era o ter ela guardado a sempre-viva que o zéfiro da manhã lhe atirara dentro da câmara.

Duas semanas estavam passadas depois da noite do sarau; novas amizades tinham vindo ocupar-lhe horas de alguns dias; Lucrécia, que havia alugado uma casa em Niterói, era então assídua junto dela, e a cercava de obsequiosos cuidados; mas Honorina se contrafazia ao pé de Lucrécia... amava a solidão... suspirava em silêncio, e apesar seu... pensava no moço loiro.

Honorina se tinha tornado docemente melancólica, o que fazia ainda mais realçar os seus encantos.

Ela precisava sem dúvida confiar seus sentimentos... seus receios e seu estado a uma amiga; mas Lúcia tinha o triplo da sua idade, e, posto que não hesitara em mostrar-lhe os primeiros escritos do moço loiro, agora ela não podia resolver-se a corar diante dela, confessando-lhe que guardara a sempre-viva, ainda que lhe repetisse as mesmas palavras que costumava dizer a si própria para desculpar-se diante de sua mimosa consciência de moça:

— Não fui eu... meu Deus! foi o teu sopro.

Lucrécia... Lucrécia não era a sua amiga da infância, como Raquel, e Raquel estava longe dela.

Finalmente na manhã de sábado Hugo conveio em levar um bilhete de sua filha a Raquel; e, pois, Honorina escreveu depressa:

"Raquel!... Não nos pudemos falar a sós no dia em que fui à corte; e eu tinha tantas coisas para te dizer!... vem hoje Raquel, dormiremos juntas, e eu te contarei uma história bem singular: vem hoje, Raquel, ver a tua amiga — Honorina."

Nesse dia, não; mas na manhã do seguinte, Honorina abraçou a Raquel.