Rapada, amarellenta cabelleira

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(Rapada, amarellenta cabelleira)
por Bocage
Poema agrupado posteriormente e publicado em Poesias eroticas, burlescas e satyricas como Soneto XXIII. Edições posteriores, tal como uma de 1969, atribuem apócrifamente a este poema o título Outro Soneto ao França.[1]

Rapada, amarellenta cabelleira,
Vêsgos olhos, que o chá, e o doce engoda,
Bocca, que á parte esquerda se accommoda,
(Uns affirmam que fede, outros que cheira:)

Japona, que da ladra andou na feira;
Ferrujento faim, que já foi moda
No tempo em que Albuquerque fez a poda
Ao soberbo Hidalcão com mão guerreira:

Ruço calção, que espórra no joelho,
Meia e sapato, com que ao lodo avança,
Vindo a encontrar-se c′o esburgado artelho:

Jarra, com appetites de creança;
Cara com similhança de besbelho;
Eis o bedel do Pindo, o doutor França.

Notas[editar]

Tanto este como os que se seguem XXI, XXII, XXIII e XXIV acham-se impressos no tomo I da já citada edição de Bocage; mas pareceu acertado reproduzil-os por conterem variantes; como se verá da respectiva confrontação de cada um d′elles com o que lhe corresponde. Lá se encontrará também a indicação dos seus assumptos, que por superflua deixamos de trasladar aqui.

[Nota de Inocêncio Francisco da Silva.]

  1. MATTOSO, Glauco. Bocage, o desboccado; Bocage, o desbancado. São Paulo: 2002. Disponível em <http://www.elsonfroes.com.br/bocage.htm. Acesso em: 28 maio 2014.