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a campanha de canudos
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E duma luta, que devia cobrir de dó todos os corações braziLleiros».

Idêntico procedimento tinha tido L . Hoche, na França, elle se empenhava patrioticamente em poupar a effusão do san­gue, só atacando os revoltosos, depois que se persuadia de não poder ligal-os á republica. « Elle se convenceu, como Larousse salienta,— de que si cumpria ser inflexível para com os agi­tadores realistas, os quaes exploravam em proveito de sua sêde de dominio a credulidade do povo, era preciso ao mesmo tempo se mostrar cheio de moderação e de bondade para com as massas evidentemente cegas, arrastadas contra o Governo que acabava de libertal-as.»

« Foi, graças a essa attitude, accrescenta Gambetta, que se poude ver quanto havia de sensibilidade exquisita de ternura democrática de verdadeiras entranhas plebéas naquelle soberbo heróe.»

E’ que L. Koche, ao inexoravel rigor até então empregado, substituira a moderação e a doçura; certo de que para terminar a guerra fratricida, preferível é sempre recorrer á magnanimi­dade do que á força e à vingança.

Em Canudos, porém, seguiu-se outra orientação. Bastaria sustentar o assedio por alguns dias mais e os jagunços teriam se rendido pela sêde e pela fome. Escusava aquella grande mor­tandade, com que o paiz nada lucrou, mas antes perdeu na amenidade de seus costumes, nos creditos de seu progresso, na importância de sua civilização.

Não se teriam, com certeza, testemunhado as scenas consternadoras que alli se desenrolaram. Esse montão de cadaveres carbonizados, essa quantidade de mulheres que morreram tru­cidadas, essa porção de crianças, que foram immoladas em odio a seus pais ; todo esse conjuncto de crueldades, praticadas por brazileiros contra brazileiros, destôa dos sentimentos christãos, que foram sempre o apanagio da nossa raça.

Mas, o extermínio absoluto do contendor supplantado tinha de ser a conclusão dessa luta lamentavel.[1]

  1. Dantas Barreto, Ultima expedição a Canudos, pag. 232.