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a campanha de canudos
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luz antes mesmo de chegarem ao seu destino as « partes officiaes » referentes ao successo, o que não se póde qualificar de pru­dente nem de correcto.

Sobreleva ponderar — que o commandante do districto militar havia assumido a responsabilidade da jornada. E tanto que, recolhido ao quartel o primeiro contingente prestado, or­ganizara elle a nova expedição, mandara pouco depois que esta regressasse, e, finalmente, a obrigara a marchar sobre Ca­nudos. Resultou d'estes factos uma troca de telegrammas explicativos entre o governador conselheiro Luiz Vianna, o vice-presidente da republica dr. Manoel Victorino Pereira, e o ministro da guerra interino general Dionysio Evangelista de Castro Cerqueira, tratando todos elles da autonomia do Estado, que a muitos parecera annullada pela intervenção federal. Assim, portanto, si alguma falta se notou, de certo que não podia ter ella partido das autoridades civis.

E que o proprio major Febronio compenetrou-se, afinal, da causa verdadeira dos acontecimentos de Taboleirinho, se colhe do telegramma que, de Queimadas, elie passou ao comman­dante interino do districto militar, em 25 de janeiro, fazendo esta confissão sincera: Os únicos homens que informaram a verdade foram o tenente-coronel Antonio Reis e o vaqueiro Joaquim Calumbi, que effirmaram ter conselheristas 8.000 homens. Pela média, posso garantir numero superior a 5000.

Não seriam tantos, provavelmente; em todo o caso, eram mais do que se calculara: dispondo elles, não de armas atrazadas exclusivamente, como se suppunha, mas tambem de algumas outras modernas, abandonadas pela expedição que o tenente Pires Ferreira havia commandado.

Para melhor apreciação do assumpto vou trasladar a ordem do dia, que o major Febronio de Brito fez publicar, com referencia aos combates de 18 e 19 de janeiro. Ella servirá de complemento ao que já deixei dito a respeito, e concebida nos termos que se vão ler:

« Commando das forças em operações ao norte do EstadoAquartelamento em Monte Sancto, 29 de janeiro de 1897. Ordem do dia n. 4.