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a campanha de canudos


entendia não desfalcar as guarnições da capital e das cidades principaes da União, porque estava convencido de que esse movimento era auxiliado em obediencia ao plano de distribuir forças para melhor facilitar a execução dos intuitos e planos monarchistas. »[1]

Eis ahi bem patentes os erros, em que o arrojado militar incidiu. Deixara-se arrastar pela falsa idéa— de que havia uma vasta conspiração a combater, e ao mesmo tempo apreciara em muito pouco os recursos e a bravura dos fanatidos do Conselheiro. Os exaltados, porêm, que de tudo se aproveitam para prejudicar áquelles que por indole ou convicções não os podem applaudir, entenderam ser magnífico o ensejo para fazer o governador da Bahia e seus amigos passarem como responsáveis pelos acontecimentos occorridos. Entretanto, da exposição imparcial que tenho feito se conclue, evidentemente, quanto foi correcta e patriótica a attitude mantida por aquelles cidadãos.

O desapontamento popular, comtudo, fôra enorme. A noticia da retirada da 3ª expedição, quo antes perdera o chefe, em cuja boa estrella se confiara de mais, cahiu qual avalanche sobre a alma sobresaltada da nação. Impunha-se, pois, a necessidade de um desafogo a tamanha desgraça ; e si nessa expansão de um sentimento, aliás explicável, foi-se até ás fronteiras do crime, a culpa não cabe seguramente ao povo, mas aos seus pretensos directores, que convertem-no ás vezes em simples instrumento de paixões e odios individuaes.

As scenas que se desenrolaram, a esse tempo, na Capital Federal attestam a procedência do meu conceito.

Conhecidas as noticias de Canudos por boletins affixados á porta de varios jornaes, no dia 7 de março, um senador e dois deputados federaes, de accordo com dois outros cidadãos, assignaram e fizeram distribuir entro o povo um convite para certo meeting, que se devia realizar ás 5 horas da tarde no largo de S. Francisco de Paula.

  1. Gazeta de Noticias, do Rio de Janeiro, edição de 9 de março de 1897.