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A ESCRAVIDÃO

mais fazem que accrescentar á barbaridade a hypocrysia. Sabem perfeitamente que todo esse apparellho de leis e disposições não poupará aos negros uma unica chicotada, nem augmentará de uma onça siquer a miseravel comida que lhes dam. Porém, propietarios elles proprios, ou a estes vendidos, procuram pelo menos adormecer os governos e arrefecer o zelo dos funccionarios cujos sentimentos não estejam ainda tão corrompidos á ponto de considerarem como honesto tudo quanto é uso deixar impune. Parecem receiar — tanta honra fazem elles ao seu seculo! — que os governos não tenham bastante indifferença pela justiça, e que seja demasiado o poder da razão e da humanidade...

     As proprias leis que acabamos de indicar, por mais brandas que sejam, ficariam sem execução si fossem perpetuas e exigissem outras provas além da simples inspecção ou do parecer de um medico, Nem foi por acaso que fizemos depender de um medico a excecução d’esta parte das leis; só entre os medicos se póde esperar encontrar, nas colonias, justiça, humanidade e principios de moral. Os magistrados e funccionarios das differentes repartições são, todos, homens que vam ás ilhas em busca de uma fortuna que não pódem pretender na Europa[1]. Si não são intrigantes já conhecidos, são pelo menos pertencentes a essa classe de homens, avidos, turbulentos e sem meios, que produz os intrigantes.

     Alguns officiaes francezes teem aportado ás colonias

  1. V. nóta F no fim do volume.