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A ESCRAVIDÃO

mado contra as torturas, e foi a contra gosto d'elles que a França teve a felicidade de salvar uma reliquia das leis antigas conservando o precioso costume de entregar á tortura os criminosos condemnados. Foram elles que quizeram abolir os impostos de trabalho forçado, e é ainda por culpa d'elles que, apezar de restabelecido, este methodo vae pouco e pouco se extinguindo. Apenas se poude, substituindo um imposto de dinheiro ás corvéas, salvar das destruidoras mãos d'elles o antigo e justo uso de só fazer pesar esse imposto sobre a patuléa. ¿Quem ha hi, em França, que ouse queixar-se da barbaridade das leis criminaes, da crueldade com que os protestantes francezes são privados dos direitos do homem e do cidadão[1], da severidade e injustiça das leis sobre o contrabando e a caça? Ainda os philosophos. — ¿Quem teve a culposa ousadia de pretender que seria util ao povo e conforme a justiça dar liberdade ao commercio e a industria? ¿Quem foi que reclamou, para cada proprietario, o direito illimitado de dispôr de suas forças? — Sempre os philosophos!...

     E, si houve quem levasse a malvadeza ã ponto de dizer a bocca pequena que o rei, restituindo a liberdade aos servos da nação, deveria comprehender n'esse numero os

  1. O estado civil foi concedido em França, aos protestantes, em 1778, por um edicto, não obstante muitas exhortações eloquentissimas. A tortura dos criminosos condemnados foi abolida no mesmo anno, por uma lei registrada ordem expressa do rei.