Página:A morgadinha dos canaviais.djvu/183

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historia das eleições—­acudiu o sr. Joãozinho.—­Cá eu e a minha gente ainda estamos a vêr no que param as coisas. Eu já não estou para ser logrado. Até agora tenho dado ao conselheiro a freguezia em pêso, sem pedir nada, où se pedi foi o mesmo que não pedisse. Vou curar-me de tolo; agora sempre havemos de entrar n’uns ajustes. Se o homem não estiver cá por umas contas, não anda o filho de meu pae.

—­Ora adeus!—­disse o padre cura.—­O conselheiro tem artes para o levar.

—­A mim? Está enganado. Não querendo eu? Então você não me conhece. Em eu embirrando, sou como um borrego teimoso.

—­Quando se fala em estradas, já estou a tremer—­disse um dos lavradores.—­O que elles veem cá fazer é cortar-nos os campos, e a final não sei para que servem.

—­Isso não é assim—­atalhou o brazileiro, tomando uns ares cathedraticos, cheios de gravidade.—­Vossemecê é ignorante e por isso é que fala d’esse modo.

—­Eu digo...—­tartamudeou, intimidado, o lavrador.

—­Pois sim: mas não deve metter-se a falar em coisas que não entende. As estradas não servem para nada! As estradas são meios de communicação e... facilitam o... o... o trafego commercial e augmentam por conseguinte a riqueza das nações... Porque o trabalho representa um capital..., sim, senhores, mas... mas um capital... sim... um capital morto... quero dizer um capital que não vive... Quero dizer... sim... supponhamos: o credito por exemplo... O credito..., sim... ahi está o credito... Pois que é o credito?... O credito é... é o credito... depende de muitas coisas... Por outra, supponhamos... se nós não tivessemos estradas... Uma supposição... Partamos de um principio. A producção excède o consumo...