Página:A morgadinha dos canaviais.djvu/184

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Quero mesmo que o consumo exceda a producção... Sim, quero mesmo isso... Muito bem... D’ahi que résulta? Está claro que um desequilibrio. E depois?... Depois, boas noites... Não havendo estradas... Ahi está que se diz por ahi que a livre exportação, que tal, que sim senhores... maïs isto, maïs aquillo... Pois não é assim. É preciso que se attenda tambem ás condições economicas dos povos. Sim... eu digo: O commercio deve ser livre... Muito bem... Em termos já se sabe... Mas... o commercio livre... a livre troca... entendamo-nos... É preciso clareza de ideias... Quando eu digo que... Ora supponhamos... supponhamos que não havia estradas... Os transportes eram maïs difficeis e portanto maïs caros... E se além d’isso os géneros fôssem escassos e... Diz vossemecê, para que servem as estradas? Ora diga-me uma coisa, sr. Manoel, supponhamos que... os impostos indirectos... não precisamos de ir maïs longe... os impostos indirectos... Sempre queria que me dissesse o que havia de fazer.

—­Impostos, Deus me livre d’elles!—­murmurou o lavrador, cujos instinctos trepidaram á palavra «impostos».

—­Isso tambem não é assim... Deus me livre! Não se diz Deus me livre, porque a riqueza... a riqueza... sim, a riqueza não está na terra... isto é, a riqueza está na terra... mas é preciso o capital para a exploração... Percebe?... Ou... supponhamos... por exemplo... Não... vamos cá por outro lado... Ha um deficit n’um orçamento... desce o preço das inscripções... Ora bem... Mas... supponhamos que ha boas estradas, et coetera... A riqueza tende a augmentar... e... e... Emfim lá que as estradas são uteis, isso é que não tem questão.

Toda está lenga-lenga economica foi escutada pelo auditorio com profunda attenção.

O brazileiro, assignante e leitor infallivel de varios