Página:A morgadinha dos canaviais.djvu/187

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velho ainda hoje é tratado com familiaridade pela gente do Mosteiro; mas julgo que o homem com aquelle genio exquisito que tem, disse algumas verdades ao conselheiro, por occasião de umas eleições, quando elle pôz as auctoridades a trabalhar por si, e o velho entendia que as coisas não iam bem assim.

—­Pois, com os diabos, o Vicente herbanario vale maïs do que vinte conselheiros e toda a familia,—­exclamou o sr. Joãozinho, batendo outra punhada—­e queira elle, que o tal senhor não põe maïs o pé nas cámaras, mandado cá pela terra.

—­Eu gósto de os ouvir,—­disse o padre—­falam assim, mas em chegando a occasião, vão todos votar n’elle como carneiros.

O brazileiro encolheu os hombros e sorriu, como confirmando o dicto.

—­Pois havemos de vêr o que será!—­berrou o sr. Joãozinho.—­Isso é consoante cá umas coisas.

—­A falar a verdade—­disse o Pertunhas—­não tem pago muito bem ao circulo o nomeal-o ha tantos annos seu deputado; só essa teima agora em querer obrigar o povo a enterrar-se no cemiterio!

—­Essa a falar a verdade!—­disse um lavrador.

—­Quero vêr se me hão de enterrar a mim!—­disse ameaçadoramente o sr. Joãosinho, como se esperasse ainda depois da morte, impôr as suas vontades á fôrça de murros e de pragas.

—­Deram-lhe para lhe dizer que fazia mal enterrar nas igrejas. É moda e acabou-se. D’antes enterrava-se lá toda a gente e não havia maïs doenças do que agora—­isto dizia o padre.

—­Os romanos tinham as suas catacumbas—­ponderou o mestre de latinidade, forçando as suas reminiscencias romanas.

—­Vamos—­ponderou o brazileiro, como quem vira pretexto de fazer novo discurso e como homem que punha acima dos despeitos a verdade scientifica.—­O enterrar nas igrejas é anti-hygienico; porque