Página:Ao correr da pena.djvu/214

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Nenhum consolo sobre a terra ao pobre!
E quando era sentado sobre o marco,
Pendida à frente a descantar às auras
A dulia inefável de seu seio,
A morte lhe interrompe o canto suave,
Que ele vai terminar na eternidade
Junto ao trono de Deus.

Que plácido repouse nas alturas -
No remanso da paz - entre os arcanjos,
Que em seus braços o acolhem pressuroso!
E unindo sua lira em nota amena
Às harpas divinais, ufano entoe
Os hinos do Senhor.

Feliz, despiu a túnica poenta;
E, se prostrado jaz na loiza frígida
Estanguido seu corpo pela morte,
Eternos viverão seus divos cantos,
Que não há esquecer obras que o gênio
Com seu sopro inspirou.

Antônio Carlos Ribeiro de AndradaMachado