Página:Ao correr da pena.djvu/254

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa


Qual o jornal desta corte que se distingue pela brilhante iniciativa que tem tomado nos melhoramentos da imprensa?

O Jornal do Comércio.

O que é que exprimem as lágrimas com a sua eloqüência sublime, com a sua expressão irresistível? Tudo e nada.

Só vos peço, por bem de todos, que não deixeis de consolar o nosso larmoyeur, pelas razões que já vos disse. Escrevi algumas correspondências elogiando o seu estilo, o chiste dos seus artigos, e sobretudo que não vos esqueçam os lindos pós-escritos, dignos de rivalizar com as cenas de uma comédia espanhola!

É preciso também chamá-lo algumas vezes, a propósito, de sábio. De gênio, de portento. Gato ruivo do que usa, disso cuida, diz um provérbio nosso.

Demais, o homem é amigo de todo o mundo. Conselheiros de Estado, marqueses, viscondes, ministros, pertencem ao círculo dos íntimos. "Meu amigo Bellegarde, meu amigo Pedreira, meus amigos marqueses", são frases que lhe v~em a todo o momento ao bico da pena.

E não cuidem que é por vangloriar-se; não, é simples força de amizade, é o poder da simpatia. O nosso escritor é o Pollux de todos os Castores, é o fidus Achates da humanidade ministerial.

Ora, um homem que se acha nesta posição, e que não é justamente apreciado, tem direito a ficar triste, a mostrar-se despeitado e a esmagar os outros com a sua ironia tranchante, chamando-os de sábios e de gênios; isto é: atirando-se em corpo e alma, em palavras e obras, sobre a cabeça daqueles que ainda o não reconheceram como tal!

E, a falar a verdade, o público tem sido injusto e o Jornal do Comércio ingrato. Já lá vão não sei quantos artigos, e nem sequer ainda fizeram sair a mais pequena publicação a pedido elogiando o luzeiro da imprensa, que tudo sabe e nada ignora, o amigo de todo o mundo.

Voltando, porém, ao meu autor, a aparição do Larmoyeur jornalista faz-me lembrar uma página sua que li há tempos, e que recomendo aos meus leitores.