Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/266

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— Com a tesoura! — respondia ella quanto mais elle lhe batia.

Por fim, o homem desesperado, deitou-a ao poço, e como ella já não podia fallar com a cabeça debaixo de agua, ainda fazia com os dedos da mão, que estava de fóra, o gesto imitando as pernas da tesoura cortando.

(Porto.)




107. O JOGO DO PIRA

Um estudante queria comer sem pagar, e andando uma vez á tuna foi parar a casa de uma estalajadeira, onde pediu tudo o que lhe apeteceu. Depois de bem comido, tratou de se safar, e propoz á estalajadeira que lhe ensinaria um jogo novo muito bonito.

— Então como é o jogo?

Disse-lhe o estudante:

— Segure n'este novello, e deixe-me a ponta da linha porque é o jogo do Pira. Ora veja como é que se joga.

Elle começa a puchar a linha, andando de costas para a porta, e a dizer: Pira, pira, pira. Foi saindo e assim que se apanhou na rua, bota a correr dizendo: Pira por aqui abaixo. E ninguem mais o apanhou.

(Porto.)




108. O CASO DO TIO JORGE COUTINHO

Era uma vez uma mulher, que era casada e tinha um amigo, e quando o marido ia para o trabalho mandava chamar o amigo. Passou um pequeno, e ella disse-lhe:

«Oh rapaz, que és mui malino,
Queres-me ir a um recadinho?