Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/267

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— Sim senhora, vou depressa;
Mas guarde-me essa panella.
«Vae a casa do tio Jorge,
Que a tua tia Guiomar
Que te manda lá dizer
Que me venha cá fallar;
Que o marido não 'stá em casa,
Pois elle foi trabalhar;
Que te dê lá o convite,
Que eu não tenho que te dar.

O rapaz foi, e disse:

— Oh meu tio Jorge Coutinho,
Diz minha tia Guiomar
Que lhe vá já lá fallar,
Que o marido não 'stá em casa,
Pois elle fui trabalhar;
Que me dê cá o convite
Que ella não tem que me dar.
— «Rapaz, tu vens-me enganar,
Que ella havia de te pagar!
— Se eu engano a meu tio
Deus do céo permittirá
Que o marido cedo venha
E ache meu tio lá.

O homem foi ter com ella; quando a mulher depois foi vigiar para elle sahir, viu o marido pela rua abaixo:

«Aqui d'el-rei, quem me acode
Que eu morro sem confissão,
Que aqui vem o meu marido,
Mas vem c'os pés pelo chão.
Se a comadre me encobre,
Ou por artes ou por manha,
Eu heide-lhe dar em janeiro
Cinco quartas de baganha.
— Minha comadre bem sabe
Que eu que sou segredeira,
O que me cahiu no papo
Cahiu-me na coalheira.
— Deus venha com meu compadre