Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/330

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com a queentura do sangue foy tornada a aquella senhora a queentura natural, em guisa que sayu saa, e curada daquel banho, depoys que foy banhada em elle sete vezes. E quando ella viu tam grande beneficio como este, rogou a aquel fisico que lhe prouguesse de curar quinhentos cavalleyros que forom mortos de muy cruel morte e jaziam ençarrados em huma cova muy escura. E o fisico veeo aaquella cova e braadou alla voz:

— Oo cavalleyros, levantadevos e alegradevos e cantad louvores ao vosso livrador.

E os cavalleyros forom logo tornados aa vida e começarom braadar em huma voz dizendo todos:

— Hu he a maã deestra daquelle que assy sooa Hu som os doens bem aventurados. Vem trigosamente e daanos as doas que perdemos em outro tempo. E esto contra o sabedor Tephon.

E per este edificio tam nobre se entende a sancta Igreja que he ajuntamento dos fiees. — E aquel castello da sancta Igreja estam a rredor delle tres donzellas, que som tres virtudes theologaes, convem a saber, fe, esperança e caridade. E estas choravam polla linhagem humanal, que era enferma de morte ante a vinda de Jhu xpo.

(Fl. 16 e 17 do Orto do Sposo. Ms. n.º 273 da Livraria de Alcobaça, hoje na Bibl. nac. de Lisboa.)




133. A JUSTIÇA DE TRAJANO

Hum emperador de roma que avya nome Trajano, hya huma vez a grande pressa a huma batalha. E huma viuva sayu a elle chorando e disselhe: — Rogo-te senhor, que façaes justiça d'aquel que matou hum meu filho sem razom. E disselhe o emperador: