Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/439

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Retruca o Centeio para o Trigo:

Cala-te lá, Trigo espadanudo,

Que não acodes ao que eu acudo.

Diz d’ali a Aveia:

Eu sou a Aveia

Negra e feia;

Mas quem me tem em casa

Não se deita sem ceia.

(Villa Nova de Gaya. — Leite de Vasconcellos, Trad., p- 128.)


190. LENDA DAS ADUELLAS E DOS ARCOS DA PIPA

Diziam as aduellas da pipa: — Muito fortes sômos nós, que sustemos o vinho.

Responderam os arcos: — Mais fortes sômos nós, que em todas vós temos mão.

N’isto começa a fallar o vime, que liava os arcos de loureiro:

Mas se eu tiro a minha mão

Vae-se o vinho pelo chão.

(Airão.)


191. A LENDA DAS MANCHAS DA LUA

Uma vez andava um homem a trabalhar ao domingo apanhando silvas. Appareceu Deus e disse-lhe:

— Então andas a trabalhar ao domingo?

— Senhor, aqui ninguem me vê n’este canto.