Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/443

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A serpente disse que não queria ter pernas, mas ferrar. O sardão disse que queria ter pernas e não ferrar, mas ser avêsso ás mulheres. O sapo disse que não queria ter pernas, nem ferrar, mas ter o corpo feio e os olhos bonitos.

(Leça do Balio.)




200. LENDA DA CORUJA

Havia um passaro sem pennas, chamado o pito-nú. A coruja ficou por fiadora para que todas as outras aves emprestassem ao pito-nú pennas para elle se vestir. Mas o pito-nú, assim que se agarrou vestido, fugiu. A coruja nunca apparece de dia com medo de que as outras aves a piquem, pelo facto de ella não poder restituir as pennas do pito-nú.

(Do pé da Guarda.)




201. LENDA DO SAPO

O sapo sustenta-se de terra que come, mas come muito poucochinho de cada vez com medo que ella se acabe.

(Airão — Minho.)




202. PORQUE OS CÃES SE CHEIRAM

Os cães deram uma vez um banquete entre si; como faltasse a pimenta offereceu-se um d’elles para ir de uma carreira á cidade bttscal-a. Os outros cães esperaram que esperaram e o mensageiro não apparecia; por fim resolveu ir cada um á sua procura, e d’aqui resultou que