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241. OUTRA

Um padre hespanhol querendo refutar o Teatro critico de Feijó, diz que o nome de Lisboa vem do grego olis, e hippon, tirado do que refere Plinio ácerca das ligeiras eguas que concebiam do vento.

(Panorama, t. iv, p. 18.)




242. A SEPULTURA DOS DOIS IRMÃOS
EM CINTRA

Dois irmãos traziam amores com uma donzella que por aquelles sitios habitava, ignorando ambos os amores um do outro. Acontecendo por uma triste fatalidade encontrarem-se os dois irmãos em uma noite tenebrosa, debaixo do balcão do objecto que tão enfeitiçados os trazia, um d’elles persuadido que o outro lhe disputava os favores da sua dama, corre cego e inconsiderado sobre elle e o estende morto a seus pés, victima de um frenetico ciume. Porém qual a sua desesperação quando pela voz moribunda d’aquelle que julgava seu rival, reconhece ter sido o assassino de seu proprio irmão, que muito amava e que lhe expira nos braços! Cheio de desespera­ção volta contra o peito o ferro fratricida, e cae morto sobre o cadaver ensanguentado do irmão, preferindo uma morte prompta a uma vida inconsolavel cheia de remorsos.

(Cintra Pittoresca, p. 114.)