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veiu ao Brazil com a família real em 1808; aqui deu-se ao pulpiço como em Portugal, e às musas, com geral applauso dos homens mais doutos que consideravam suas homelias semelhantes ao que de melhor se lê nas o bras de S. Bazilio, e de S. João Chrysostomo, escolhendo elle para suas predicas, em grande parte improvisadas, a igreja de Santa Rita, em que se baptisara.

Foi um grande orador sagrado, cultivou todos os generos de litteratura, sobretudo a poesia lyrica e sagrada; foi um varão de uma caridade excessiva e de profundo saber; escreveu muito sendo estudante, advogado e presbytero secular; compoz muitas poesias profanas e sagradas, tragedias, obras philosophicas e sermões; mas tudo desappareceu. Se disse que um seu parente possuia uma quantidade de seus sermões e projectava dal-os á luz, e que o general Stokler possuia outros com muitos manuscriptos do padre Caldas. De seus discursos oratorios, recitados aos domingos na igreja de Santa Rita, cita-se o

Sermrão sobre o mandamento de Deus « Honrarás a teu pai e a tua mãi» prégado a 1 de julho de 1809 — Este sermão tão grande effeito produziu, que seus ouvintes choravam, enternecidos, ouvindo-o.

Em sua vida se publicaram entre outras poesias:

O homem selvagem: ode. Coimbra, 1783.

A cantata de Pygmalião. Coimbra... — E' considerada como um enlevo inexprimivel de suavidade e de belleza de poesia.

As aves: poema philosophico. Coimbra ... — Posthumas, foram publicadas :

Obras poeticas do reverendo Antonio Pereira de Souza Caldas. Paris, 1820—1821, dous vols. — O primeiro volume contém os Psalmos de David, vertidos em rithmo portuguez com as notas e observações de seu amigo o tenente-general F. de Borja Garção Stokler. Esta traducção fez elle em Lisboa, em 1806, quando para ahi voltara desacoroçoado com a perseguição que soffriam as lettras no Brazil, e é considerada como a primeira, quer na lingua portugueza, quer nas outras em que foram vertidos os psalmos. O segundo volume contém poesias sacras e profanas com iguaes notas e observações. Uma das poesias deste volume termina com os seguintes versos, em que é tão admiravel a sublimidade de expressão, de sentimento e de pensamento com que o autor revela seu amor a Deus, como o é essa indifferença' com que falla da morte:


Meu Senhor e meu Deus,
Ah! cante a minha voz antes que eu morra
Um hymno de louvor ao vosso nome,

Ao vosso nome santo.

Muitas poesias deste livro, como a ode a Exístencia de Deus e a Morte do Salvador, têm sido reproduzidas em diversos tratados de eloquencia e de litteratura. Foi publicada esta obra pelo sobrinho do autor, Antonio de Souza Dias, fidalgo da casa real, cavalleiro da ordem de Christo, de Portugal, etc. Ha poucos annos, foram publicadas parte destas poesias com o titulo: