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664 DOM JOAO VI NO BRAZIL

entrar igualmente a acreditar na realidade das apprehensoes officiaes. Em Buenos Ayres faziam-se, entretanto, maiores preparatives de defeza e grassava irritacao contra a Franga, a Inglaterra e a Hollanda por haver constado que a Hes- panha fretara d essas nagSes navios para transporte das tropas da famosa por nunca realizada expedigao.

O mais interessante e que, ao passo que com seus protes- tos movia a Europa contra a occupagao da Banda Oriental pelas forgas portuguezas e ostentava seus preparos de re- conquista da America Platina, a Hespanha, pela voz do seu ministro no Rio, protestava tambem contra a evacuacao do territorio. Casa Flores implorava quasi que o exercito de Lecor nao abandonasse Montevideo, entregando-a inerme aos revoltosos e facciosos que alii pullulavam e andavam contidos por aquellas forgas disciplinadas, que os impediam de manifestarem sens instinctos sanguinarios.

Os partidarios locaes de Fernando VII eram os primei- ros a supplicar isso com fervor. De Montevideo dirigiam-se ao representante no Brazil da sua metropole nao esquecida, jurando que a anarchia attingiria na cidade uruguaya os ultimos limites si a retirada das tropas portuguezas tivesse lugar antes da chegada da expedigao de Cadiz. Os boatos eram, com efreito, tao espalhados e tao repetidos de que a praga seria despejada a noticia da appro ximacao da armada hespanhola, que deviam em toda probabilidade repousar sobre alguma cousa de real. Contava-se que parte da artilhe- ria pesada da defeza ja fora remettida para o Rio, e Maler, ao fazer-se para Pariz echo dos rumores, informava que estes Ihe chegavam pelas cartas que recebia de Montevideo mesmo ( i ) .

��(1) Officlo de 14 de Novem-bro de 1819.

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