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BOM JOAO VI NO BRAZIL 789

pleta falsidade, relativamente, ja se ve, e em absolute o recrutamento rigoroso exercido para a expedigao do Rio da Prata. Nas provincias septentrionaes do Brazil, focos da in- surreigao que estalara, e ate notorio, lembrava o representante de Dom Joao VI, que se nao recrutou um homem nem se impoz um soldo de contribuigao para aquella empreza mili- tar. As tropas empregadas no Sul tinham vindo de Portu gal e eram pagas pelo Erario Publico de Lisboa, excepgao feita das tropas regionaes paulistas e rio-grandenses. Podia o Thesouro do Rio de Janeiro ter realizado alguns adianta- mentos, mas a occupacao de Montevideo, importando a cobranga das receitas aduaneiras d esse consideravel porto, bastaria dentro em breve para custear as despezas da expe digao.

As unicas queixas que no atilado dizer dos communi- cados, destina dos, nao nos esquegamos, a um periodico lon- drino e a um publico britannico, podiam os Brazileiros nu- trir, seriam os favores extraordinarios outorgados no terreno commercial pelo tratado de 1810 e as concessoes a que no assumpto do trafico fora levado o governo do Rio. Estas eram expressoes de resentimento bem mais fundadas do que meras questoes de subvencao por este ou por aquelle Reino, emquanto se nao abria a risonha perspectiva financeira do objecto da empreza satisfazer os gastos da sua operagao. Muito mais impopular devia com certeza ser em Portugal a ambiciosa guerra do Sul, porque Ihe acarretava despezas sem proveito privativo, nem prestigio directo. Verdade e que no Brazil faltava igualmente, afora interesse que justificasse a conquista, a nao ser o politico, a vaidade nacio- nal que so pode gerar um accordo de sentimentos. E o Brazil ainda era, moral como organicamente, fragmentario.

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