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790 DOM JOAO VI NO BRAZIL

A revolugao de 1817 tern que ser examinada sobre- tudo pelo seu lado theorico, no seu aspecto correlative, em sua feigao proselytica. Foi um signal mais dos tempos, a manifestac,ao de uma .combinac,ao de impulses em que entra- vam o amor exaggerado, litterario si quizerem, philosophico mesmo, mas em todo caso active, da liberdade, e uma noc.ao jactanciosa da valia americana que o abbade de Pradt aponta com felicidade quando escreve n um dos seus muitos livros de vulgarisagao da emancipagao do Novo Mundo, que "pela primeira vez, tratando^se do Brazil com relagao a Portugal, uma parte da America aprendera a levantar a cabega mais alto que a Europa e a dar leis aquelles de quern tinha por habito recebel-as."

Alias estes sentimentos abstractos e geraes assumiam tragos concretos e particulares na provincia revoltada. A ordem do dia de 4 de Marco de 1817, do capitao general Caetano Pinto de Miranda Montenegro, ajuntava as razoes do Correio uma terceira, a mencionada e que estava na raiz do descontentamento popular: a sizania levantada "entre os nascidos no Brazil e os nascidos em Portugal", accusados de monopolizar os melhores empregos civis e militares, os maio- res proventos e tu do mais de bom na terra. Por outras pala- vras, eram a questao nativista e a affirmagao independente que sob as vestes democraticas, tao em moda na epocha, sur- giam incomparavelmente mais vehementes do que em Minas no final do seculo XVIII.

" Ha presentemente, proclamava o doutor governador, alguns partidos, fomentados talvez por homens malvados, com a louca esperanga de tirarem alguma vantagem das des- gracas alheias, sem se lembrarem de que todos somos Portu- guezes, todos vassallos do mesmo soberano, todos concida-

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