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DOM JOAO VI NO BRAZIL 597

que, recorda Cane com razao, os excesses da Revolugao fran- ceza, sem esquecer os desatinos domesticos, tinham desacre- ditado no Prata, emprestando fascinagao entre a gente culta ao ideal monarchico liberal de modelo inglez, que estava ate predominando na Franga cartista e parlamentar, e que tinha no seu modo de ser a grande vantagem de nao dar en- sanchas a audaciosos como Alvear e a caciques regionaes como Artigas.

Fora a consciencia d essa maior seguranga politica que dera os seus defensores mais decididos a causa da Princeza do Brazil e estava ainda suggerindo a busca de outras com- binagoes, si bem que antipathicas a corrente popular. Pueyr- redon achava-se quasi so, entre os proceres da revolucao Argentina, no acreditar que a republica devia acompanhar a separagao, e no acceitar a monarchia - - preconizada tanto por Belgrano, o soldado e gonhador generoso, como pelo pensador educado e recto que foi Rivadavia*- - somente como o melhor modo de fazer tolerar a independencia pelas gran- des potencias reaccionarias da Europa.

Para estas, quando reunidas em 1818 no Congresso de Aix-la-Chapelle, ao tempo que o abbade de Pradt escrevia suas defezas mais pomposas de emancipagao colonial, redi- giria o enviado Garcia uma justificacao da occupacao portu- gueza da Banda Oriental, a qual o governo de Dom Joao VI cohonestava com um argumento que os Estados Unidos muito depois invocariam com relagao a necessidade da inter- vengao em Cuba; nao poder o Brazil, paiz reconhecidamente ordeiro, supportar sem perigo proprio um foco de pertur- bagao tao perto das suas communidades pacificas e laboriosas.

A occupagao tinha, porem, por motivos verdadeiros fa- cultar ao Brazil sua fronteira natural ao sul e tornar bem

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