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900 DOM JOAO VI NO BRAZIL

No Brazil mudara sua situagao de espirito. Longe da Franga e reposto dos seus terrores demagogicos, enxergava as cousas com mais calma, abordava-as com mais discerni- mento, resolvia-as com mais longanimidade ainda, e tao accentuada e pessoal Ihe ficou a feigao que d ella se nao despojou quando, de novo em Lisboa, se viu a bragos com a agitagao constitucional e a reaccao absolutista.

Sao abundantes os exemplos da tolerancia de Dom Joao. O general bonapartista Hogendorp, antigo comman- dante em chefe de Wilna e fervente admirador de Napo- leao, viveu tranquillo e isolado n uma fazenda nos arredores do Rio, cultivando seus 20.000 pes de cafe, sem que jamais o incommodasse a policia ou deixasse o Rei de usar para com elle de toda a contemplacao. O velho militar, que era uma das curiosidades da capital fluminense, costumava ate rece- ber frequentes visitas de diplomatas e outros estrangeiros, que o procuravam como a um homem de reputagao e valor.

O episodic com o m arquez de Louie e o mais signifi cative. A revelia condemnado a pena ultima por sentenga dada em Lisboa a 21 de Novembro de 1811, dictada pelo crime de lesa-patria pois que pegara em armas com os Fran- cezes e servira as ordens de Massena, apezar de haver sido um mimoso do Regente, Louie alguns annos depois, em 1817, decidiu-se a ir ao Rio implorar o perdao real. Reco- Ihido a prisao como contumaz, ahi permaneceu treze mezes, mas foi em seguida solto, dando-se-lhe o novo Reino por menagem, e successivamente indultado, rehabilitado e resta- belecido nas suas honras, merces e bens, ficando em esque- cimento o facto capital e sern effeito algum a sentenga pri- mitiva. Alais do que isto, readmittiu o Rei o fidalgo no seu servigo, dizendo ao seu sequito quando o ergueu do chao,

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