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DOM JOAO VI NO BRAZIL 967

de seda negra e ao pescogo o collar carmezim de Christo, ou a sege de um ministro d Estado, escoltada pelos correios a cavallo, de farda azul com gola e punhos vermelhos aga- loados de ouro, botas altas e chapeu armado de oleado. Muito mais frequentes appareciam no emtanto outros es- pectaculos, menos aristocraticos. Ora seria um baptizado de negros novos, com seus padrinho e madrinha de cor, es- paventosamente vestidos ; ora um casamento de mucama e co- peiro de casa de tratamento; ora um enterro de anjinho preto, cujo corpinho, quando o permittiam as posses dos pais, era levado n uma vistosa cadeirinha adrede alugada, ou pelo menos carregado sem acompanhamento n um singelo tabo- leiro, com flores artificiaes espetadas nos quatro cantos.

Aos enterros dos negros adultos concorriam sempre um mestre de cerimonias de vara na mao e transudando impor- tancia, um rufador de caixa-tambor e algumas carpideiras que psalmodiavam e batiam palmas para acompanharem o rhythmo do pranto. Si de todo era destituida de bens a gente do morto, o corpo* expunha-se na rua dentro da rede mortuaria, afim de recolher os obulos dos viandantes que permittissem a inhumagao, a qual sempre custava alguma cousa. Nao havia risco de ficar um cadaver insepulto, porque a caridade dos proprios negros .se manifestava infallivelmente para com os fallecidos irmaos desvalidos.

Semelhantes cortejos, festivos ou funebres, de continuo os offerecia a cidade no seu ar pronunciadamente africano, que foi perdendo depois da aboligao do trafico, da progressiva extincgao dos negros da Costa, do augmento da immigragao europea e da diluicao dos mestizos na populagao branca, ga- nhando de todo, senao a cor, os modos e o aspecto geral e uniforme do resto da gente. N outros tempos, porem, dcscm-

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