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DOM JOAO VI NO BRAZIL 989

Logo em Janeiro passou o anniversario da Princeza Real, sendo a data ruidosamente festejada com touradas, (i) dangas de mouros e selvagens organizadas pelo mestre de bailados Lacombe no salao do theatre e fogos de artificio no jardim de Sao Christovao e no Campo de Sant Anna. (2) Os indios eram parte obrigada e ainda serfam parte essencial do symbolismo nacional, mas no fogo de artificio por occa- siao da elevagao do Brazil a Reino, vira-se o paiz depor o cocar e saiote de pennas e assumir a coroa e manto com que o brindara o Principe Regente.

De todas as festas reaes celebradas no Rio de Janeiro as mais solemnes e deslumbrantes foram, porem, as da accla- magao de Dom Joao VI, em Fevereiro de 1818, com o seu segurmento em Outubro do mesmo anno. Para a funcgao da acclamagao foi que se levantou no largo do Pago, entre o Palacio e a Capella, a famosa varanda ou galeria que Debret desenhou na sua famosa o bra, com as dezoito arcadas, os tro- pheos e as estatuas da decoragao, e ao centro a tribuna em projecgao destinada a cerimonia, de forma a nada perderem d ella a familia real, a corte e o corpo diplomatico esparsos em tribunas ligadas ao Pago.

O que a lithographia nao podia porem reproduzir, era o luxo interior da galeria, toda revestida de velludo carme- zim e com pinturas allegoricas nos tectos, lembrando as vir- tudes do monarcha que subia ao throno de seus avos longe da patria tradicional, mas no coragao de uma nova patria por elle fundada.

��(1) Refere von Leithold quo as touradas, <1 portugueza, com corte/ias c mo<jos de forcado, t oraiu indecentes porque se correnim aniinaos uiagros e inansos e formavam as quad ri I has bandarilluMro* ineptos.

(2) Padre Luiz Gongalves dos Sanctos, 06. tit. ; Preycinet, o&. cit. ; e Cartas de Marrocos, passim.

D. J. G2

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