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990 DOM JOAO VI NO BRAZIL

Recebeu entao o Rio de Janeiro o seu baptismo de capi tal da monarchia. O espectaculo tanto foi militar como civil e foi parallelamente grandiose. O dia escolhido foi o de 6 de Fevereiro. Pela manha teve lugar a missa do Espirito-Santo e a tarde a acclamagao com todas as formalidades costuma- rias. Encaminhou-se o cortejo do Pago ao qual por um lado e pelo outro a Capella se achava a galeria ligada por um largo estrado descoberto e alcatifado formado pelos portei- ros da canna com magas de prata ao hombro, reis d armas, arautos, passavantes, archeiros, reposteiros, gentis homens da camara, nobres e titulares, bispos e prelados, of ficiaes da Real Casa e grandes do Reino. O Infante servia de Condestavel, o conde de Vianna de reposteiro-mor, o marquez de Bellas de capitao da guarda, e o conde de Barbacena, como alferes- mor, empunhava o estandarte real enrolado. Por baixo da varanda central tocava a orchestra de musicos allemaes que tinha acompanhado da Europa a Archiduqueza Leopoldina.

O Rei ostentava, preso no peito por um atacador de diamantes, um manto carmezim com as armas admiravel- mente -bordadas de Portugal, Brazil e Algarves, o escudo com as cinco quinas, a esphera armillar e os sete castellos. Segurando na sinistra o sceptro, de ouro macisso bem como a coroa obra, uma e outra insignia, de um mulato brazileiro empregado pelo joalheiro da coroa Dom Joao com a dextra sobre o Evangelho prestou ao bispo-capellao o juramento do estylo. Sobre o mesmo missal Ihe prestaram os Principes de sangue o juramento de obediencia. Desenrolando entao o estandarte, acclamou o alferes-mor o soberano, e adian- tando-se ate o parapeito da varanda, repetio o seu brado que o povo recebeu com applausos estrondosos.

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