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1000 DOM JOAO VI NO BRAZIL

cia alguma e todos sem distincgao fincavam um joelho no chao ou se ajoclhavam com os dous diantc do Rei (i).

Na casa de campo de Santa Cruz passava Dom Joao VI todos os annos algurnas semanas, e a essa residen- cia de fazenda affeigoaram-se muito Dom Pedro e Dona Leopoldina, ahi se demorando por vezes bastante tempo. Foi de resto por occasiao do seu consorcio, exercendo o cargo de intendente geral dos edificios da coroa o visconde do Rio Secco, que se arranjou convenientemente a vivenda, des- manchando-se as cellas da antiga casa da Ordem, onde con- tinuara a alojar-se o Rei, para se fazerem divisoes mais amplas.

Nao eram mais frequentes as viagens da corte porque cada uma custava rios de dinheiro, roubando os fornecedores escandalosamente de combinagao com os mordomos. Tambem fora a fazenda um desastre complete pelo lado financeiro. Mai cultivada depois que pela forga a desertaram os padres jesuitas, nenhum proveito se tirava dos milhares de cabegas de gado que por suas pastagens erravam, nem dos escravos negros, quasi mil em numero, que nas suas senzalas se jun- tavam. Mawe, que esteve fcito a dministrador da fazenda para por em execugao sua famosa recoita de fabricar man- teiga, escreve que era lamentavel a condigao da propriedade e deploraveis os abusos. Nas terras amanhadas cresciam as hervas; as plantagoes de cafe pareciam capoeiras, com ar- bustos bravios mais altos do que os cafezeiros ; o gado andava tao maltratado que nao se encontrava um so cavallo que prestasse para montaria.

Linhares, que em tudo pensava e de tudo se occupava, installou em Santa Cruz colonos chins, dos que mandara vir

��(1) von Leithold, ob. cit.

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