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1034 DOM JOAO VI NO BftAZIL

pagao da nagao no governo, expondo com geito e cautela as nogoes preliminares da essencia e modalidades de um regi men pelo qual se estava dirigindo a Franga; mas que Dom Joao VI, o qual sempre o escutava com extrema bondade, repellia logo qualquer insinuagao d esse genero, pelo que com mu i to pezar e so com o receio de tornar-se importune, ces- sara havia muito o agente diplomatico de discorrer sobre essas verdades politicas.

Acontecia agora que chegava a occasiao decisiva sem que pudesse ser aproveitada pelos dous elementos que, longe de se harmonizarem, se oppunham irreconciliaveis. O sobe- rano descortinava Maler perfeitamente sem um conse- Iho d Estado ao qual recorrer, privado de qualquer entidade intermediaria que Ihe fosse dado consultar, so se decidiria na ultima extremidade a dotar Portugal de favores que Ihe pareceriam enormes, na realidade palliatives que a distancia e nas circumstancias dominantes produziriam antes mal do que bem : sem esquecer que uma sedigao portugueza daria o signal de uma perturbagao perigosa no Brazil.

Pessoas as mais distinctas por sua catbegoria, e cargos affirmam-me que nas provincias do Norte, principalmente, existe um fermento de descontentamento e mal estar que e para temer-sex, ouvi este desabafo melancholico a grandes da corte, officiaes generaes e altos magistrados; n uma palavra tod as as pessoas cujas opinioes sao de valor, acham-se tran- sidas de susto e julgam-se n uma crise pavorosa" (i).

Dom Joao VI era o unico optimista, e do genero volun- tario, que e o mais difficil de se deixar abalar. Bastava ouvil-o exclamar com alegria ao representante da Franga, quando se soube que o Rei da Prussia se negava a outorgar

��(1) Officio cit. de 23 de Maio de 1820.

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