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DOM JOAO .VI NO BRAZIL 1097

Maler nao pcupa elogios a este pessoai administrative, apezar de tao revolucionariamente installado no poder. Jul- gava o gabinete composto de homens esclarecidos, Silvestre sobretudo, e em muitas cousas parecidos. "Seria difficil, reza seu officio de 28 de Fevereiro, encontrar trez pessoas (i) mais simples nos seus modos; tenho tratado familiarmente com elles nos scus modestos interiores e duvido que sua mo- bilia valha mais de 100 luizes."

A ascensao ao poder de Silvestre Pinheiro Ferreira in- dica por si so a profunda transformacao que se operara no meio politico. Era como si na Franca moderada de Ferry e de Ribot- -nao na Franca radical de Clemenceau e de Briand, tocando no socialismo tivesse de repente sido cha- mado o Sr. Jaures ou o Sr. Millerand para a presidencia do conselho. Silvestre era nao so urn espirito de uma inde- pendencia fundamental e irreconciliavel, como um reforma- dor implacavel, posto que manso, ao ponto de nao raro pare- cer paradoxal e ser por vezes chimerico.

Logo na primeira mocidade, quando se destinava a car- reira ecclesiastica, desaveio-se com os directores da Congrega- cao do Oratorio por motivo de remoques feitos a obra do padre Theodoro d Alrneida Recreacdo philosophica e dei- xou a instituigao sacra, obtendo depois em concurso o lugar de lente de philosophia em Coimbra. Da sua cadeira propa- gou o sensualismo de Locke e Condillac, sendo por tal razao alvo de nova perseguigao, tratado de jacobino e obrigado a expatriar-se. Acolheu-o por essa occasiao em Pariz Antonio de Araujo, que teve influencia bastante para Ihe alcancar

. (1) Os ministros cram quatro, nins Mnl.r fnlilni-ki apenas dos <|iic conliccia. Xno ]io;lia qiinvr ahslrnhir dc Lon/a, (|ii; a1< ; uma ]T])iii;i(,-rio iirovtM-liial dc lionnulc/.

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