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1118 DOM JOAO VI NO BRAZIL

auctoridade e a nao compartilharia, sacrificando sua popu- laridade, com acolytos mandados da corte e destinados na melhor hypothese a ser figurantes anodinos (i).

EsforQara-se pois Palmella quanto possivel e Silvestre, menos pratico e mais doutrinario, o acompanharia com igual pertinacia e talvez convicgao superior nao por desven- dar a vista ao monarcha, que abra^ava perfeitamente a theo- ria da situagao, mas por instigar a sua iniciativa a entrar n um caminho a igual distancia dos desmandos dos revolucio- narios, que queriam reduzir a realeza a uma ficgao, e das illusoes dos retrogrades, que julgavam possivel continuar a fazer pouco da revolugao que rompera fremente na Penin sula, "como se elles escrevessem a dez mil leguas de distan cia do theatro desses acontecimentos, e trezentos annos atraz da era em que vivemos" (2).

Entretanto propagava-se a insurreigao ao Brazil, sem que Dom Joao VI sahisse do sen meio. termo passivo. Thomaz Antonio mantinha El-Rey na sua inaccao", escrevia Palmella a Funchal (3) quando, inielizmente, ja Ihe nao era dado mais do que exclamar: "Acabou-se a nossa comedia ao menos para mim! e dar-me-hei por rauito feliz que nao acabc a pao como hum entremez, e sobretudo que nao acabe como tra- gedia."

Palmella antevira, como sempre, as consequencias e ainda escrevera ao Rei, ao participar-lhe a insurreigao da

��(1) Esta parte responidia a uma das ideas d<e Thomaz Antonio, de acceitar-se uma nova Regencia coniposta de muitos dos personagons do govemo revolucionario, aggregando-se-llies algumas pessoas gratas ao coracao do monarcha.

(2) Representagao de Palmella a Dom Joao VI, nos Desp. e Corresp., Tomo I.

(3) Carta cit. de 3 de Mar^o de 1821.

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