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1130 BOM JOAO VI NO BRAZIL

mais fundo o fosso de prevengoes que moralmente separava as duas metades da monarchia luzitana. S<eu effeito immedia- to foi despir de todo brilho, de todo alarido, de todo calor, de toda expressao de saudade a partida do Rei que a 24, a noitinha, embarcou na nau D. Joao VI e a 26 de Abril sahio do porto, acompanhado por duas fragatas e nove trans- portes,- levando milhares de pessoas quatro mil ao que se diz pertencentes e nao ao servigo real, e 50 milhoes de cru- zados. A mare carregava o que a mare trouxera. O Erario ficava de facto vasio do numerario, em troca do qual e para pagamento de dividas do governo se tinham dado letras, que nao eram acceitas, sobre as thesourarias provinciaes da Bahia, Pernambuco e Maranhao, e se entregaram ao Banco os diamantes do monopolio e joias da coroa. (i)

Dom Joao VI veio crear e realmente f undou na America um Imperio, pois merece bem assim ser classificado o ter dado foros de nacionalidade a uma immensa colonia amorpha, para que o filho, porem, Ihe desfructasse a obra. Elle proprio regressava menos rei do que chegara, porquanto sua auctori- dade era agora contrastada sem pejo. Deixava comtudo o Brazil maior do que o encontrara.

As ultimas disposigoes de Dom Joao VI com relagao a Cisplatina foram tendentes a definitiva encorporagao ao paiz d essa provincia, fechando-se o cyclo de guerras a que dera origem a fundagao da Colonia e recentemente resultara, a ultima d ellas, da recusa de Elio, dictada por fidelidade dy- nastica e nacional, em acompanhar os autonomistas de Bue-

��(1) O governo reconheceu como divida nacional os seus com-

promissos com o Banco do Brazil e determinou o levantaniento na

Km-opa de um emprestimo d> I ^OO c-ontos. (jue foi reprovado pela*

iCortcs. as dusu-s n-solvcram ato peclir contas ao Itei da entrega de

joias da Coroa.

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