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644 DOM JOAO VI NO BRAZIL

Britannica fora mediador e garante do armisticio de 1812 (i) com o governo de Buenos Ayres; mas Portugal nao podia admittir semelhante protesto baseado sobre uma ga- rantia que nunca existira, tanto mais quanto todos os ou- tros motivos allegados na nota menclonada de Chamberlain em caso algum deveriam prevalecer sobre o direito mais sa- grado que havia, que era o da defeza dos proprios Estados. Deixando esta tarefa a Portugal, a Hespanha pouparia es- forgos e despezas em subjugar o territorio rebellado, cuja independencia Buenos Ayres reconhecera, hostilizando-o ape- nas porque Artigas, sem titulo nem eleigao, alii se apode- rara ou tentava apoderar-se do mando supremo.

No proseguimento da sua politica, que repudiava como sendo de conquista e somente consentia em que fosse qua- lificada de resistencia dictada pelo instincto da conservagao e horror a anarchia, o governo do Rio assegurava official- mente uma vez mais pela penna de Brito que, ao fazer oc- cupar por suas tropas o paiz situa do a esquerda do Uruguay, o Rei nao tinha tido outro fim senao o de abafar o espirito revolucionario n uma regiao limitrophe do Brazil. Tomava uma linha natural de preservagao para conserval-a ate o dia em que a lucta entre as colonias hespanholas e a mai patria estivesse terminada.

So entao, restabelecido o socego, reclamaria S. M. Fi- delissima indemnizagao pelos prejuizos soffridos pelos seus subditos e compensaqao pelas despezas occasionadas por uma guerra determinada pela aggressao dos insurgentes e pela

��(1) Os armisti cios foram dous : o de 20 de Outubro de 1811, centre BueTios Ayres e Montevideo, preteudendo esta obrigar o Brazil, e o de 2 de Junho de 1812, pelo qual concordou Poptngal na retirada das suas tropas.

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