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648 DOM JOAO VI NO BRAZIL

O que tinha o condao de levar ao auge a irritagao do velho militar realista que a Restauragao galardoara com um posto diplomatico, era que entre os emigrados no Rio da Prata se contavam nao poucos d aquelles officiaes do grande exercito napoleonico, pelo novo regimen reduzidos ao meio soldo ou privados de todo soldo, que Balzac tao vigorosa- mente desenhou em romances seus, saudosos do passado, des- contentes do presente, esperangosos do porvir, promptos a batalharem sempre que se fallasse nos immortaes principios que o seu Imperador immortal sym bolizara, absorvendo-os. lam esses militares para o Rio da Prata, ao que diziam en- tregar-se a exploragoes agricolas, de facto alistar-se a com- baterem pela liberdade de terras opprimidas.

Os desertores eram ainda mais numerosos. "Penso ja ter feito observar a V. Ex.- que os navios que vao ao Rio da Prata perdem alii suas tripolagSes por effeito da desergao. As embarcagoes francezas que entrain n este porto, proce- dentes do Rio da Prata, trazem todas novas folhas de tripo- lagao firmadas pelas auctoridades portuguezas de Montevi deo, e outro tanto acontece com os navios inglezes. Cada dia um novo enxame de mal intencionados vai pois avolumar a agglomeragao, e o espirito de moderagao do actual director Pueyrredon constitue uma fraca garantia contra as consequen- cias possiveis do mal de que die podera bem vir a ser uma pas primeiras victimas" (i).

Pelos diplomatas acreditados no Rio de Janeiro a me- diagao das grandes potencias era considerada preciosa nao so para chamar a ordem o discolo governo portuguez, como tambem para remendar o lago que unira a metropole hes- panhola as suas colonias, o Rio da Prata e Chile tanto

��(1) Officio cit. de Maler de 30 de Junto de 1818.

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