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652 DOM JOAO VI NO BEAZIL

gabinetes do Velho Mundo. Alias nao era a corte portu- gueza a que menos se esforcava por prolongar a questfio do Rio da Prata; o barao Pasquier ate a accusava de ser a mais empenhada em trclner I affaire en longueur (i).

O encarregado de negocios d Hespanha, pelo que Ihe tocava, seguira protestando sempre que a proposito vinha, contra a deslealdade de ser levantado nas cidades e pragas occupadas na Banda Oriental o pavilhao portuguez, e contra a impropriedade da recepgao dispensada no Rio aos depu- tados de Montevideo, que tinham vindo apresentar seus votos e segurangas de fidelidade ao Rei, e aos quaes o conde da Barca nao hesitou em conceder uma audiencia.

No dizer de Maler (2), o seu collega hespanhol du- vidava no decorrer da sua nota sobre este particular assum- pto, "affirmar o que Ihe parecia mais offensivo e desarra- zoado, si a ousadia dos pretensos deputados, si o proceder do Ministro que sem consideragao pela sua propria elevada po- sigao, se permittia receber e distinguir su bditos rebeldes, facciosos, insultando com esta attitude a legagao de S. M. Catholica."

Dom Joao VI foi acclamado Rei em Montevideo no dia 7 de Abril de 1817, como o foi em todas as villas dos seus dominios, excepc^ao feita do Rio de Janeiro e de Per- nambuco, por causa da revolucao que ahi, na corte e na pro- vincia rebelde, teve por effeito adiar a cerimonia. Maler, Jn- dignado d aquelle desplante de uma acclamacjio em terra es- trangeira, assim convertida em terra conquistada, mais se enojava de encontrar no Paco, como vira com os sens pro-

��(1) Despacho a Maler do LM de Novenabro de 1819, ibidem. (i) Officio de 7 de Abril de 1817.

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