Página:Eneida Brazileira.djvu/14

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
16
ENEIDA. — LIVRO I.


Onusto, o acolherás; e humanas preces
Tem de invocal-o. Então, deposta a guerra,
Se amolgue a ferrea idade; a encanecida
Fé com Vesta, os irmãos Quirino e Rhemo
       310Dictem leis; Jano trave as diras portas
Com trancas e aldrabões; sôbre armas cruas
Dentro o impio Furor sentado, e roxos
Atrás os pulsos em cem nós de bronze,
Hediondo ruja com sanguinea bôca.»
            315Não mais; e expede o génito de Maia,
Porque a recem Carthago hospicio aos Teucros
Franquêe, nem, do fado inscia, a raínha
Os extermine. O deus pelo ar patente
De azas remando, em Libya o vôo abate;
       320Fiel ás ordens, a fereza aos Penos
Despe; e Dido primeira em pró dos Phrygios
Brandos affectos placidos concebe.
     Toda a noite pensoso o heroe velando,
A alma luz mal branqueja, onde arribara
       325Dispõe sondar; e vendo incultas margens,
Inquirir quem as tem, se homens, se feras,
E aos seus noticial-o. As naus mettidas
N’abra de uns bosques sob cavada penha,
Entre verde espessura e negras sombras,
       330Elle só, mais Achates, sahe brandindo
Duas hastes que empunha de ancho ferro.
Da selva em meio a mãe se lhe apresenta,
Virgem no trajo e aspecto, em armas virgem
Lacena; ou qual Harpálice a threícia
       335Cansa os corseis e o Euro vence alífugo:
Pois do hombro o arco destro, á caçadora,
Pendura, e ás auras a madeixa entrega,
Dos joelhos nua e a falda em nó colhida.
Eil-a: «O’ jovens, errante aqui topastes
       340Irmã minha, a gritar quiçá no encalço