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ENEIDA. — LIVRO I.


Parte com sulcos marca os edificios;
Santo augusto senado, e o foro e a curia,
Se cria e elege: aqui se escavam portos;
Fundam-se alli magnificos theatros,
       450De marmor collossaes talham columnas,
Pompa e decoro das futuras scenas.
Quaes abelhas ao sol por floreos prados
Lidam na primavera, quando ensaiam
O adulto enxame; ou doce fluido espessam,
       455Do nectar flavo retesando as cellas;
Ou quando a carga das que vem recebem;
Ou em batalha expulsam da colmêa
Os zangãos, gente ignava. A obra ferve,
E a tomilho recende o mel fragrante.
       460 «Ditoso quem seus tectos já levanta!»
Exclama o heroe, e os coruchéos contempla.
Na cidade não visto, oh maravilha!
Se mistura ennublado. Em meio havia
Luco umbroso e fresquissimo, onde os Penos,
       465De ondas jogados e tufões, cavaram
O tésto de um corsel, de Juno régia
Mostra e penhor que o povo, asado á glória,
Pugnaz e duro, insultaria os evos:
Lá punha Dido a Juno insigne templo,
       470Que dons e a rica effigie realçavam:
No bronzeo limiar da[1] bronzea escada,
Craveja o bronze as traves, e a couceira
Range em portões de bronze. Um novo objecto
N’este bosque a lenir entra os receios;
       475Aqui primeiro ousou fiar-se Enéas
E prometter-se allívio em seus pezares:
Pois quando, á espera da raínha, o templo
Nota peça por peça, quando o enlevam
De Carthago a fortuna, o gôsto fino,
       480O artificio, o primor, acha em pintura

  1. Consta no original.