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HISTORIAS DE REIS E PRINCIPES


palpou-a. A capellista gritou, e o amante sovou D. Miguel, que teve de recolher-se ao leito no Hotel Meurice, onde se havia hospedado.

Isto sim, isto é verosimil e concorda com outra aventura que D. Miguel praticára, quando já desthronado, em Roma, e que logo contaremos.

Finalmente, o opusculo dá-nos noticia de que D. Miguel, antes de sahir de Vienna para Portugal, convidára officiaes e cortesãs para ceiarem com elle depois do theatro. A ceia, que começára á meia noite, terminou ao amanhecer, mas o infante lembrou, para remate da festa, que se queimasse um punch á franceza. Dito e feito. Um leque de chammas phosphorescentes irradiou da poncheira, e á volta, de mãos dadas, n'uma farandola patusca, o infante e os seus commensaes giravam n'uma especie de dança macabra, que tinha alguma coisa de satanica. Terpsichore não regeu tão ordenadamente a chorea, que podesse evitar o tombar a mesa e a poncheira. Era natural depois de libações capitosas. O liquido inflammado alastrou no soalho, e pelas frinchas das tabuas cahiu n'um palheiro que ficava nos baixos da casa, incendiando-a.

Duas mulheres e um official pereceram no incendio, e D. Miguel, cujo fato ficára queimado, correu grande risco.

Não serei eu que prodigalise elogios á patuscada e ao punch, se bem que honestos varões (já não direi o mesmo das donas concomitantes) teem, com o