Página:Historias de Reis e Principes.djvu/179

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
172
HISTORIAS DE REIS E PRINCIPES


Papagaio real,
Por Portugal,
Quem passa?
O rei que vai á caça.

No glossario nacional conservam-se algumas phrases attinentes aos papagaios, taes como: dá cá o pé, meu loiro, etc.; e não contentes com os papagaios authenticos, temos varios papagaios metaphoricos, as tabuas divisorias e pintadas de verde que separam as janellas de sacada; as estrellas de papel que os rapazes lançam ao ar.

Depois da abundancia dos papagaios, estranhou Maximiliano a dos negros e negras, que enxameam em Lisboa, notando que por um contraste, que parece ironico, todos os pretos são caiadores.

Aqui está decerto outro vestigio dos nossos bons tempos coloniaes: os pretos. Elles habituaram-se a Portugal desde o tempo em que vinham como escravos; a tradição estabeleceu-se, e hoje vêm como livres. Que diria Maximiliano se soubesse que os portuguezes antigos, incluindo os nossos primeiros poetas, davam o cavaquinho pelas pretas! Camões, o principe dos poetas portuguezes, arrastou a aza a uma escrava negra, a famosa Luiza Barbara:

Pretidão de amor,
Tão dôce a figura,
Que a neve lhe jura
Que trocára a côr.