Página:O Barao de Lavos (1908).djvu/123

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pel fingindo mármore, do salão, abancava ás mesas, ia e vinha, altercava, rodopiava, interpellava-se uma multidão barulhenta e viva, arrogante, bariolada, irrequieta. Um grosso borborinho, bizarro e quente, sobrenadava, domi- nado com frequência por um tinir de copos, um dinal de phrase berrada, um esfusiar de gargalhadas. Algum estralido de palmas batidas com impaciência, a percussão duma moeda numa bandeja, morriam na cantilena roncada e estridula dos pedidos dos moços para o balcão. Era um concertante de harmonias barbaras, um alarido cortado e dissonante, a. que as fugas da abobada imprimiam uma larga rosonancia, e que crescia e revoava na atmosphera peneirada de oiro, entre espiralamentos de fumo, em volta do gaz ardendo num arquejo rouco e fazendo turbinar em cima os anteparos de porcelana, pendentes do estuque esfumaçado. Quando a vozearia baixava, sentia-se no bilhar ao lado o som do marfim chocando-se. No pavimento de pedra lustroso, em xadrez preto e branco, onde raro serpeavam rastilhos de serradura, reflectiam-se trechos dos grupos, — firmes, nítidos, perfeitos, com a calma fidelidade e a translucidez suave- dum espelha- mento de lago adormecido.

O barão esculdrinhou miudamente o estabelecimento todo. Eugênio não estava ! nem nos bilhares, nem no botequim. — E se fôsse á Pacca?... Estava doido!... Mesmo que lá encontrasse o rapaz, que ganhava com isso?... Elle exasperava-se, não saía... tinha genio, era capaz de romper p’ra sempre... Nada, o melhor seria esperar, sofrear-se, e mais tarde, a horas prováveis delle haver recolhido, ir então.—