o fim, ele publica, a 2 de dezembro de 1869, aquela sua conhecida profissão de fé republicana, no artigo de fecho da polemica com Furtado de Mendonça: “Surgiu-lhe (a ele) na mente inapagavel um sonho sublime, que o preocupa: “O Brasil americano e as terras do Cruzeiro sem rei e sem escravos”.
E’ o cartel de desafio á Corôa, avantajando-se no tempo ao Manifesto Republicano de 1870. E com um laivo de perfídia intelectual, que é um traço bem caracteristico da sátira de Gama: é a data do artigo, dia do aniversario do Imperador. Era o presente que o tribuno, convertido ás idéas avançadas do tempo, mandava no ramilhete imperial de felicitações. E numa hora de profunda emoção patriótica, provocada pelas nossas seguidas vitórias no Paraguai, prenunciando a brilhante entrada das tropas brasileiras em Assunção, alguns dias mais tarde. O negro sósinho tinha mais coragem que multidões inteiras. Não desmentia a raça: era nagô puro e dos mais audazes.
Declarando-se republicano, não se limitou á atitude platônica das affirmações. Foi além, fez-se precursor do republicanismo de acção.
A primeira tentativa de fundação do partido foi realizada pelo baiano, acompanhado pelo dr. Americo Brasiliense, seu vizinho, no Braz, como morador do sobrado da avenida Rangel Pestana, na esquina com a rua Piratininga (sobrado que ainda existe), e mais José Luiz Flacquer, João Batista de Senne e o inseparavel amigo de Gama, Pedro Antonio Rodrigues de Oliveira. Os adeptos do novo credo político reuniam-se, quasi clandestinamente,