fato com o principio da liberdade, a reforma se faria tendo por base a indenisação e o resgate”.
Posto em discussão o manifesto, tomou a palavra Luiz Gama, representante do municipio de São José dos Campos.
Protestou contra as idéas do manifesto, contra as concessões que ele fazia á opressão e ao crime, propugnava ousadamente pela abolição completa, imediata e incondicional do elemento servil.
Crescia na tribuna o vulto do orador: o gesto, a princípio frouxo, alargava-se, acentuava-se, enérgico e inspirado estava quebrada a calma serenidade da sessão. Os representantes, quasi todos de pé, mas dominados e mudos, ouviam a palavra altiva, vingadora e formidavel do tribuno negro. Não era já um homem que falava, era um princípio que falava... digo mal, não era um princípio, era uma paixão absoluta, era a paixão da igualdada que rugia! Ali estava na tribuna, envergonhando os timidos, verberando os prudentes, ali estava na rude explosão da natureza primitiva, o neto da África, o filho de Luiza Mahin!
A sua opinião caiu vencida e única; mas não houve tambem ali um coração que não se alvoroçasse de entusiasmo pelo defensor dos escravos”.
O golpe foi rude para a conciência de Gama. Ele acreditara que os republicanos, como paladinos da democracia integral, querendo o poder emanando diretamente do povo, seriam naturalmente abolicionistas, pois só assim haveria a igualdade de que a democracia precisa para viver