Página:Obras de Manoel Antonio Alvares de Azevedo v2.djvu/219

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Macário: Sois um perfeito companheiro de viagem. Vosso nome?

O Desconhecido: Perguntei-vos o vosso?

Macário: O caso é que é preciso que eu pergunte primeiro. Pois eu sou um estudante. Vadio ou estudioso, talentoso ou estúpido, pouco importa. Duas palavras só: amo o fumo e odeio o Direito Romano. Amo as mulheres e odeio o romantismo.

O Desconhecido: Tocai! Sois um digno rapaz. (Apertam a mão).

Macário: Gosto mais de uma garrafa de vinho que de um poema, mais de um beijo que do soneto mais harmonioso. Quanto ao canto dos passarinhas, ao luar sonolento, às noites límpidas, acho isso sumamente insípido. Os passarinhos sabem só uma cantiga. O luar é sempre o mesmo. Esse mundo é monótono a fazer morrer de sono.

O Desconhecido: E a poesia?

Macário: Enquanto era a moeda de oiro que corria só pela mão do rico, ia muito bem. Hoje trocou-se em moeda de