Página:Obras de Manoel Antonio Alvares de Azevedo v2.djvu/253

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Um defunto?... não. . . ele dorme: não vedes? É meu filho... Apanharam-no bolando nas águas levado pelo rio. . . Coitado! como está frio! . . . é das águas. . . Tem os cabelos ainda gotejantes . . Diziam que ele morreu. . . Morrer! meu filho! é impossível. . . Não sabeis! ele é a minha esperança, meu sangue, minha vida. É meu passado de moça, meus amores de velha. . . Morrer ele? É impossível. Morrer? Como? Se eu ainda sinto esperanças, se ainda sinto o sangue correr-me nas veias, e a vida estremecer meu coração!

Macário: Velha!-estás doida.

A Mulher: Não morreu, não. Ele está dormindo. Amanhã há de acordar. . . Há muito tempo que ele dorme... Que sono profundo! nem um ressonar! Ele foi sempre assim desde criança Quando eu o embalava ao meu seio, ele às vezes empalidecia que parecia um morto, tanto era pálido e frio! Meu filho! Hei-de aquentá-lo com meus beiços, com meu corpo

Macário: Pobre mãe!

A Mulher: Falai mais baixo. Eu pedi ao vento que se calasse, ao rio que emudecesse Não vedes? tudo é silencio.