Página:Obras de Manoel Antonio Alvares de Azevedo v2.djvu/270

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no rodar do carro do século, nos alaridos do progresso, nos hosanas do industrialismo laurífero? não sente ele que tudo se move-que o século se emancipa- c a cruzada do futuro se recruta? Não sonha ele também com esse Oriente para onde todos se encaminham sedentos de amor e de luz?

Esperanças! e esse Americano não sente que ele é o filho de uma nação nova, não a sente o maldito cheia de sangue, de mocidade e verdor? Não se lembra que seus arvoredos gigantescos, seus oceanos escumosos, os seus rios, suas cataratas, que tudo lá é grande e sublime? Nas ventanias do sertão, nas trovoadas do sul, no sussurro das florestas à noite não escutou nunca os prelúdios daquela música gigante da terra que entoa a manhã a epopéia do homem e de Deus? não sentiu ele àquela sua nação infante que se embala nos hinos da indústria européia como Júpiter nas cavernas do Ida ao alarido do Corihantes-tem futuro imenso?

Esperanças! não tê-las quando todos as têm! quando todos os peitos se expandem como as velas de uma nau, ao vento do futuro! Por que antes não cantou a sua América como Chateaubriand e o poeta de Virgínia,' a Itália como a Mignon de Goethe, o Oriente como Byron, o amor dos como Byron, o amor dos anjos como Thomas Moore, o amor das virgens como Lamartine?

Macário: Muito bem, Penseroso. Agora cala-te: falas como esses Oradores de lugares comuns que não sabem o que dizem.