Página:Obras de Manoel Antonio Alvares de Azevedo v2.djvu/288

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Com os olhos em lágrimas). Quem sabe se não será para sempre? (Sai).

A Italiana: (empalidecendo): Para sempre? Ah!

(O quarto de Penseroso)

Penseroso ( só ): Ela não me ama. Que importa? eu lh'o perdôo. Perdôo a leviandade daquela criança pura e santa que me leva ao suicídio . Oh! se eu pudesse vê-la ainda!

Passeei toda a noite pelo campo que se estende junto à casa dela. Vi as luzes apagarem-se uma por uma. Só o quarto dela ficara iluminado. Havia ser muito tarde quando a luz se apagou. Pareceu-me ver ainda depois uma imagem branca encostada na janela . .

Coitada! ela não sabe que eu estava ali, a seus pés, com o desespero n'alma, e o veneno no peito, cheio de desejos e de morte, cheio de saudades e de desesperança!

Vaguei toda a noite. Quando acordei estava muito longe. Assentei-me à beira do caminho. A meus pés se estendia o precipício coberto de ervacal

À direita, longe numa lagoa saíram os primeiros raios do dia. O orvalho reluzia nas folhas das árvores antigas