Página:Obras de Manoel Antonio Alvares de Azevedo v2.djvu/310

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depois foi que voltei: quando entrei na case de meu pai, ele estava moribundo: ajoelhou-se no seu leito e agradeceu a Deus ainda ver-me: pôs as mãos na minha cabeça, banhou-me a fronte de lágrimas — eram as últimas — depois deixou-se cair, pôs as mãos no peito, e com os olhos em mim murmurou — Deus!

A voz sufocou-se-lhe na garganta: todos choravam.

Eu também chorava — mas era de saudades de Ângela.

Logo que pude reduzir minha fortuna a dinheiro pu-la no banco de Hamburgo, e parti para a Espanha.

Quando voltei. Ângela estava casada e tinha um filho...

Contudo meu amor não morreu! Nem o dela!

Muito ardentes foram aquelas horas de amor e de lágrimas, de saudades e beijos, de sonhos e maldições para nos esqueceremos um do outro.



Uma noite, dois vultos alvejavam nas sombras de um jardim, as folhas tremiam ao ondear de um vestido, as brisas soluçavam aos soluços de dois amantes, e o perfume das violetas que eles pisavam, das roses e madressilvas que abriam em torno dele era ainda mais doce perdido no perfume dos cabelos soltos de uma mulher.

Essa noite — foi uma loucura! foram poucas horas de sonhos de fogo! e quão breve passaram! Depois a essa noite seguiu-se outra, outra e muitas noites as folhas sussurraram ao roçar de um passo misterioso, e o vento se embriagou de deleite nas nossas frontes pálidas...