Página:Obras de Manoel Antonio Alvares de Azevedo v2.djvu/312

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tua só. Foi por ti que tive força bastante para tanto crime Vem, tudo esta pronto, fujamos. A nós o futuro!

Foi uma vida insana a minha com aquela mulher! Era um viajar sem fim. Ângela vestia-se de homem: era um formoso mancebo assim. No demais ela era como todos os moços libertinos que nas mesas da orgia batiam com a taça na taça dela. Bebia já como uma inglesa, fumava como uma Sultana, montava a cavalo como um árabe, e atirava as armas como um espanhol.

Quando o vapor dos licores me ardia a fronte ela me repousava em seus joelhos, tomava um bandolim e me cantava as modas de sua terra

Nossos dias eram lançados ao sono como pérolas ao amor: nossas noites sim eram belas!

Um dia ela partiu: partiu, mas deixou-me os lábios ainda queimados dos seus, e o coração cheio de gérmen de vícios que ela aí lançara. Partiu. Mas sua lembrança ficou como o fantasma de um mau anjo perto de meu leito.

Quis esquecê-la no jogo, nas bebidas, na paixão dos duelos. Tornei-me um ladrão nas cartas, um homem perdido por mulheres e orgias, um espadachim terrível e sem coração.

Uma noite eu caíra ébrio as portas de um palácio: os cavalos de uma