Página:Obras de Manoel Antonio Alvares de Azevedo v2.djvu/316

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parece que esses homens amam muito! A bordo ouvi a muitos marinheiros seus amores singelos: eram moças loiras da Bretanha e da Normandia, ou alguma Espanhola de cabelos negros vista ao passar — sentada na praia com sua cesta de flores — ou adormecida entre os laranjais cheirosos — ou dançando o fandango lascivo nos bailes ao relento! Houve junto a mim muitas faces ásperas e tostadas ao sol do mar que se banharam de lágrimas...

Voltemos a história. — O comandante a estremecia como um louco — um pouco menos que a sua honra, um pouco mais que sua corveta.

E ela — ela no meio de sua melancolia, de sua tristeza e sua palidez — ela sorria as vezes quando cismava sozinha — mas era um sorrir tão triste que doía. Coitada!

Um poeta a amaria de joelhos. Uma noite — de certo eu estava ébrio — fiz-lhe uns versos. Na lânguida poesia, eu derramara uma essência preciosa e límpida que ainda não se poluíra no mundo...

Bofé que chorei quando fiz esses versos. Um dia. meses depois — li-os, ri-me deles e de mim e atirei-os ao mar... Era a última folha da minha virgindade que lançava ao esquecimento.

Agora, enchei os copos: o que vou dizer-vos é negro: é uma lembrança horrível, como os pesadelos no Oceano.

Com suas lágrimas, com seus sorrisos, com seus olhos úmidos, é