Página:Obras poeticas de Ignacio José de Alvarenga Peixoto (1865).djvu/84

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« Se a constituição era capaz
De nos abrir as portas da ventura,
Se desceu sobre nós anjo de paz,
    Novo sol de luz pura,
Como apparece negra a atmosphera
Vindo empestar a brasileira esphera?

« Embora que o congresso corrompido
Contra os meus interesses decretasse;
Os vis ferros já tinha sacudido,
    Tudo mudou de face;
Seguiremos a lei se a lei fôr justa,
Mas não tente campar á nossa custa.

« Proclamarem o bem a bem dos povos
Tanto da Europa como do Brasil,
E promulgarem dous decretos novos
    Com politica vil!...
Como já se acabou o despotismo,
Se apparece de novo um novo abysmo?

« Tres seculos vivi escravisado,
Arrastando grilhões de impiedade;
Acabou esse tempo desgraçado,
    Não soffro a iniquidade;
Tenho em ti defensor, tenho justiça,
Hei de calcar aos pés a vil cubiça.

« Protesto e juro ante o céo e a terra
De não temer combates sanguinosos
Té derrotar em defensiva guerra
    Monstros ambiciosos,
Que cegos da razão com sêde de ouro,
A’ brilhante nação causão desdouro.

« Não julgues, Portugal, em nós fraqueza,
Pelo estado do antigo soffrimento:
Este paiz, nascente, de riqueza
    E’ um novo portento:
O gigante Brasil inabalavel,
E’ pelo seu local inconquistavel.